
A cultura cafeeira é o mote do projeto Território Criativo do Café de Mandaguari, aprovado em janeiro de 2026 pelo Ministério da Cultura (MinC) via Lei Rouanet. A iniciativa, inédita, foi proposta pelo Instituto de Apoio a Museus e Patrimônio (IAMP), de Maringá, formado por profissionais experientes ligados às áreas da museologia, cultura, arquitetura, comunicação, história, biologia e geografia. “O projeto reconhece a importância histórica do café no Norte e Noroeste do Paraná ao longo do século XX, cultura profundamente presente na memória, no imaginário e na relação afetiva da população com sua própria história”, explica Marcelo Seixas, presidente do IAMP.
Segundo Seixas, a iniciativa busca transformar essa memória em oportunidade concreta de desenvolvimento, articulando patrimônio, turismo cultural e economia criativa. O Território Criativo reúne ações como o Museu Aberto do Café, programas de formação, eventos e integração com cadeias produtivas ligadas ao café, posicionando Mandaguari como referência nesse novo modelo de política cultural. Na fase inicial, o território abrangerá mais de dez municípios, incluindo Maringá e Londrina, oferecendo suporte técnico, conceitual e estratégico às iniciativas de preservação da memória da cafeicultura nos antigos municípios produtores do século XX no norte do Estado.
“Estamos falando de um projeto que reconhece, valoriza e transforma nossa história em desenvolvimento. O café foi base da formação econômica e social do município e agora passa a ser também eixo de cultura, turismo e economia criativa, fortalecendo Mandaguari como referência regional e abrindo novas oportunidades de geração de renda e valorização do nosso patrimônio”, afirma Ivonéia Furtado, prefeita de Mandaguari, reconhecendo o papel do IAMP nesta importante conquista.
Uma das primeiras propostas estruturadas a partir da museologia de território apresentadas ao MinC, o projeto Território Criativo do Café de Mandaguari exigiu grande esforço de formulação e inovação por equipe técnica consistente, na qual se destaca a museóloga Telma Lasmar, cuja experiência deu lastro e segurança à proposta. Telma é graduada pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UFRJ), Mestre em Engenharia de Produção pela mesma instituição e Doutora em Museologia pelo PPG-PMUS da UNIRIO /MAST. Foi presidente do Conselho Federal de Museologia, museóloga da Rede Ferroviária Federal S.A por mais de 15 anos e diretora administrativa e consultora do Museu de Arte Contemporânea de Niterói. “A aprovação confirma que é possível pensar o patrimônio cultural como ferramenta de desenvolvimento, com impacto real para Mandaguari e para toda a região Noroeste do Paraná”, diz o presidente do IAMP.
Perseu Bastos, consultor de negócios do Sebrae, acredita que o Território Criativo do Café fortalece e complementa o caminho iniciado pela entidade ao ampliar a conquista da Indicação Geográfica do café especial para uma estratégia mais ampla de desenvolvimento territorial. Isso porque enquanto o Sebrae estrutura a produção, a competitividade e o posicionamento do café no mercado, o Território Criativo agrega valor cultural, simbólico e experiencial, conectando o café à economia criativa, ao turismo cultural, à gastronomia, ao design e à memória. “O café deixa de ser apenas um produto qualificado e passa a ser também identidade territorial, gerando novas oportunidades econômicas, ampliando mercados e garantindo escala, sustentabilidade e impacto de longo prazo para Mandaguari e toda a região”, diz ele.
Além da Prefeitura de Mandaguari, o projeto Território Criativo do Café tem apoio institucional da Secretaria de Estado da Cultura, da Universidade Estadual de Maringá por meio da Pré-Reitoria de Extensão e Cultura (PEC-UEM), da Secretaria de Cultura de Maringá (Semuc) e da Prefeitura de Maringá.